
Mianmar, um país marcado por uma profunda crise humanitária e política, foi atingido na última sexta-feira (28) por um devastador terremoto de magnitude 7,7, o mais forte registrado na região em um século. Este desastre natural, que já deixou mais de 3 mil mortos, pode ter um impacto ainda mais trágico, com estimativas apontando para um total de até 10 mil vítimas. A catástrofe ocorre em um contexto de guerra civil, que se intensificou após o golpe militar de 2021, que desmantelou uma frágil tentativa de transição democrática.
O terremoto não só trouxe destruição, mas também evidenciou as dificuldades enfrentadas pela população em meio a um governo militar opressor e a um sistema de saúde debilitado. Em meio aos escombros, famílias gritam por socorro, enquanto o isolamento imposto pela guerra civil complica os esforços de resgate. As imagens que circulam mostram a devastação completa de áreas inteiras, revelando um cenário de desespero e abandono.
Para entender as complexas dinâmicas que dificultam a recuperação do país, Natuza Nery conversou com Maurício Santoro, doutor em ciência política pelo IUPERJ e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil. Santoro destaca o histórico de conflitos políticos e étnicos que fragilizam Mianmar, além de discutir os interesses estratégicos da China e da Índia na região. Esses fatores, combinados com a falta de uma infraestrutura sólida e uma economia estagnada, contrastam com o crescimento acelerado de outras nações do sudeste asiático, que conseguiram avançar apesar de desafios semelhantes.
A imagem de pacientes sendo atendidos ao ar livre em Mandalay, devido à superlotação dos hospitais, ilustra a gravidade da situação. Mianmar agora se vê diante de uma dupla tragédia: a destruição causada pelo terremoto e a continuidade de uma guerra civil que impede a reconstrução e a assistência adequada à sua população. O mundo observa, mas a solidariedade internacional ainda é uma incógnita em meio a um cenário tão caótico e desolador.
